
Do café ao espetáculo – A Sala São Paulo
Por: Thiago Barbosa
Fotos: Reprodução
Quem passa pela região central de São Paulo todos os dias fica encantado com todos aqueles edifícios do século XIX e XX, construídos na época em que a cidade era ainda uma promessa. Em uma das estações de trem mais antigas de São Paulo, a estação Júlio Prestes, fica a Sala São Paulo, um ícone musical que marcou gerações e ainda "respira por aparelhos” para se manter viva na cidade.
Isso acontece por que a cultura da música clássica na cidade vai ficando cada vez mais escassa com o passar do tempo. É raro conhecer jovens que gostam desse estilo e que conheçam a Sala. O público mais presente nos espetáculos e apresentações ainda é o público na faixa etária de 40 a 70 anos. O gosto pelo clássico foi ficando para trás, esquecido juntamente com as memórias da época do café e das ferrovias paulistanas. Há também uma ausência de recursos para se manter. As apresentações já não lotam como antigamente e os capitais oriundos do governo estão cada vez menores.
A Sala São Paulo surgiu exatamente nessa época. Ela foi construída em 1938, ao lado da Estação Julio Prestes, que servia de ferrovia para ligar São Paulo até o porto de Santos, para o transporte do café.
Com o passar do tempo as ferrovias foram esquecidas e substituídas pelo transporte rodoviário. A Sala também ficou deixada de lado até o ano de 1998, onde ficou encarregada da Secretaria de Estado e Cultura a reforma da Sala São Paulo, junto com um complexo cultural e uma estação de trens que ainda funciona que é a Julio Prestes.

A sensação ao entrar na sala é deslumbrante. A acústica do lugar é incrível. É perceptível um eco quando se conversa entre as paredes. Poucos lugares tem essa capacidade sonora tão peculiar.
Hoje a Orquestra Sinfônica de São Paulo realiza alguns ensaios e apresentações na Sala. A agenda de apresentações também tem uma atração garantida quase todo fim de semana, com música clássica, principalmente, mas também outros estilos, já que muitas orquestras hoje estão se reinventando, o que também é muito legal.
Existem muitos jovens que estão presentes nas orquestras, o que é benéfico para essa rotatividade da música clássica. Muitos tocando violinos, instrumentos de sopro, percussão e outros instrumentos, e dando uma outra cara para a música clássica. Tive o privilégio de assistir um pouco do ensaio e ver um misto de músicas clássicas junto com musicais atuais (não vou dar spoiler).
Se você ainda não conhece, faça uma visita, vale muito a pena. Mesmo se não gosta de música clássica, a Sala oferece uma programação diferenciada, podendo entender mais sobre a história do bairro, da estação, da época do café e outros assuntos da época.
No site www.salasaopaulo.art.br você pode encontrar maiores informações, como agenda, preços e visitas guiadas. Mas não deixe visita-la. A história de São Paulo não pode ter um final dramático.
Com quase um século de existência, o local sofre para manter a
agenda completa e a renda regular